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segunda-feira, 26 de outubro de 2009


A Mão.
J. Norinaldo.

As mãos que lapidam e moldam no bronze,
Que plantam as flores e pintam paisagens,
Que ceifam o trigo pra fazer o pão,
Que seguram a pena e escrevem mensagens,
Que acenam com o lenço na despedida,
Que afagam e açoitam com um látego um irmão.

A mão que aponta com o dedo um destino,
A mão estendida a pedir uma esmola,
A mão que aponta o pecado do irmão,
A mão com a cimitarra um ser vivo degola,
A mão que puxa na corda do sino...
Não é mesma erguida a celebrar o sermão.

A mão com destreza nos laboratórios,
Criando os meios de destruir a vida,
A mão que espalha no chão o rastilho,
A mão que atenta contra a humanidade,
É a mão que assina a sentença de morte,
Outra mão está pronta a apertar o gatilho.

A mão que tem calos da lida bruta,
A mão que labuta pra ganhar o pão,
Não aperta a mão sedosa e macia,
Tem menos valor sua calosidade,
Que a suavidade da mão de um ladrão,
É a mão da mentira e a mão da verdade.






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